• Dora Lua

Queima

Atualizado: 2 de Ago de 2019

Como afirmei anteriormente, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO, o bairro Alto do Moura em Caruaru recebeu o título de Maior Centro de Artes Figurativas das Américas. Caruaru foi a primeira parada da minha lentíssima viagem de volta ao mundo, onde cheguei a ficar pela maior parte dos meses de abril e maio de 2018, acompanhando, durante minha estadia na casa do Lula junto aos meus companheiros temporários (Dennys e Psiu), o trabalho dos artistas do barro.


Minhas tentativas de aprender foram tímidas e trágicas, apesar de divertidas, enquanto Dennys demonstrou ter algum talento em potencial. Mas há outra parte tão interessante quanto botar a mão no barro: o processo de queima, finalização, das peças. Esse post é para tornar público uma parte do acervo de fotos que tirei acompanhando o trabalho de Raul e Ed (e esse menino das primeiras fotos a seguir, cujo nome esqueci).





Dennys aprendeninho todo dedicado.

Depois de prontas, as peças são dispostas ao Sol para secar o máximo possível. Então são levadas ao forno para o longo processo de queima. A parte de cima do forno é tapada com telhas de cerâmica.



Num primeiro momento, há cerca de cinco horas de esquento. A lenha é colocada na entrada do forno, inicialmente bem distante e com fogo bem baixo. A cada meia hora, a fogueirinha é empurrada para dez centímetros mais perto do forno e é acrescentada um pouquinho mais de lenha. É tudo muito devagar porque o barro tem que aquecer gradualmente, senão corre o risco de quebrar.


(É questão de paciência, então se você estiver em casal dá pra passar o tempo brincando de seduzir um ao outro no meio da fumaça, rsrsrs)


Após essas cinco primeiras horas de esquento, inicia-se o cardeio, onde vai sendo acrescentada muito mais lenha, ainda gradualmente, pelas duas entradas do forno, até chegar a um ponto onde as chamas saem pelas brechas das telhas lá em cima, fazendo com que todas as peças sejam lambidas pelas labaredas. Mais umas cinco horas se passam durante essa etapa.


No total, a lenha fica queimando por oito, dez horas ou mais. Haja madeira!


No dia seguinte, levanta-se as telhas para a retirada das peças já frias, torcendo para que todas elas tenham sobrevivido ao fogo. Mas quase sempre alguém aparece quebrado.




Uma fotinha extra pra lembrar o quanto é legal e o quanto se aprende quando oferecemos uma mãozinha de trabalho, nos lugares onde nos oferecem abrigo e amizade:



GRATIDÃO CARUARU!!!

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