• Dora Lua

Preparação

Atualizado: 22 de Jun de 2019

Um mês depois que tive a idéia de dar a volta ao mundo, já estava saindo de casa.

Fotografia: Dennys Gamboa

Doei/vendi tudo o que não me serviria na viagem: roupas, livros, utensílios de cozinha, colchões, geladeira… Vá lá nunca tive muita coisa mesmo. Mantendo comigo apenas o que caberia na bicicleta: poucas mudas de roupa, panelinha, caixa de som, pandeiro, gaita, saco de dormir, rede, diário, ferramentas e minha gatinha Psiu.


Minha bike é do tipo mais comum, de passeio, barata, o modelo mais básico entre as bicicletas de alumínio. A tenho há mais de três anos e já abusei um bocado dela. Foi com ela que comecei a vender salada de fruta na praia, antes de poder comprar uma bicicleta de carga. O seu modelo não era próprio para colocar um bagageiro. Mesmo assim, consegui alguém que gambiarrasse não só um bagageiro, mas também um descanso que a deixasse num ângulo perfeitamente perpendicular ao chão, permitindo que a caixa térmica com a salada se mantivesse estável sobre a bicicleta.


Foi a primeira vez que ela foi usada para um fim que não correspondia à sua qualidade. Mas quando a vontade é grande e o momento é certo, a gente faz com o que tem e se não tem, a gente inventa.


Agora, para acomodar Psiu, foi inventado um segundo bagageiro na frente, preso ao guidom. Costurei duas mochilas para criar um alforje apoiando-o sobre o bagageiro traseiro e sob a minha velha mochila de sessenta litros. A mochila está bem conservada, mas já remendada em alguns pontos pois há seis anos viajo com ela.

Bicicleta e mochila: de novo, minha casa.

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